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EDUCAÇÃO HUMANISTA E CIENTIFICISTA

EDUCAÇÃO HUMANISTA E CIENTIFICISTA

caminhos ideológicos para a atuação do corpo docente

Pedagógico

Por Maria Luísa Silvestre

A escola precisa sim ter uma ideologia. Não falamos de visões político-partidárias ou crenças religiosas, já que a escola precisa necessariamente ser apartidária e laica. Estamos falando de “valores”. É impossível trabalhar sem um rumo definido para toda a equipe docente, pois qualquer aula ou atividade sempre  transmite uma visão de mundo. 

Mas que visão de mundo ou valores a escola tem o compromisso de passar aos seus alunos? No que, como educadores, devemos acreditar e promover?

ACREDITAR NA BUSCA POR UM MUNDO MELHOR

Não há dúvida de que todos nós desejamos um mundo melhor, mais justo e igualitário. Um mundo  em que todas as criaturas tenham os mesmos direitos e deveres, convivam em harmonia sem discriminação ou preconceito. Um mundo em que todos tenham acesso à educação, à saúde, ao emprego e à moradia.

Trata-se de um sonho? Então, o papel  da escola é fazer sonhar, é conscientizar os alunos sobre os problemas da realidade e discutir com eles as soluções para mudanças positivas, não para alguns, mas  para todos.

ACREDITAR NA IGUALDADE DE DIREITOS E DEVERES 

Desde cedo, na Educação infantil, e no decorrer de toda a trajetória escolar até o Ensino Médio, a “Igualdade de Direitos e Deveres” deve ser tema de debates, de livros paradidáticos, de projetos interdisciplinares  e até de provas.  Sempre que for possível, enfatizar a necessidade da contribuição de cada um para que possamos atingir o estado de igualdade social, racial e de gênero. E, mais importante do que a discussão do assunto, deve ser a prática da igualdade cotidianamente na sua escola. 

Os alunos, mesmo os pequenos, percebem quando há contradição entre o que se diz e o que se executa. Por isso, devemos ter a máxima atenção para que todos, indistintamente, sejam ouvidos, respeitados e também cobrados com relação aos combinados ou normas da escola.  

O nosso exemplo vale muito mais do que qualquer estratégia pedagógica. Ou seja, uma escola democrática (em que as pessoas são valorizadas independentemente da cor da pele e do gênero; as decisões são tomadas em conjunto; os alunos têm voz e são protagonistas do próprio aprendizado; o bem coletivo prevalece sobre o individual; na discordância, acata-se o voto/escolha da maioria) ensina a se viver em uma democracia.

ACREDITAR NO RELACIONAMENTO HARMONIOSO

Rodas de conversa ou debates para reflexões de assuntos socioemocionais podem ser desenvolvidos por professores de todas as disciplinas, e com frequência. Os professores devem direcionar a conversa para valores de cidadania: autorrespeito, respeito ao outro, autovalorização, valorização do outro, empatia, solidariedade, colaboração.

A escola é um lugar plural, cheio de diversidade. É nela que o convívio respeitoso e colaborativo pode ser desenvolvido. 

Os trabalhos em grupo, tão realizados pelas diferentes matérias do currículo, são excelentes oportunidades de praticar a inclusão de todos os participantes, o saber ouvir e respeitar ideias divergentes, a valorização do outro para a resolução de problemas. 

Por isso, os professores precisam ser treinados para que orientem os procedimentos corretos de “como se trabalhar em grupo”, com a inclusão de todos, o respeito às individualidades e a constatação da importância da participação ativa e responsável de cada componente. Essas são lições fundamentais para toda a vida. 

Com esse importante aprendizado, formaremos cidadãos aptos para vivenciarem relacionamentos com civilidade, em que a discordância pode e deve existir, mas o desrespeito jamais.

ACREDITAR NO PENSAMENTO CIENTÍFICO, CRÍTICO E CRIATIVO

A Ciência contribuiu, ao longo dos séculos, para o desenvolvimento da sociedade em todos os setores. A descrença na Ciência traz consequências extremamente negativas para a população, como a diminuição da procura por vacinas, para citarmos um único exemplo. 

Como a escola poderia negar a Ciência? Seria o mesmo que negar a educação, o conhecimento e a ela própria. Ao contrário, cabe à escola trabalhar pela valorização da Ciência e desenvolver nos alunos o pensamento científico.

Entende-se por pensamento científico o resultado de investigação contínua, baseada nos aspectos racional, objetivo, factual, analítico, comunicável, acumulativo e explicativo. 

Também a criticidade e a criatividade são componentes do pensamento científico, que deseja buscar soluções inovadoras e criativas para os problemas existentes, mas usando sempre o conhecimento e a análise crítica na busca dessas soluções.

A própria Base Nacional Comum Curricular (BNCC) menciona  o pensamento científico, crítico e criativo como uma das 10 competências que devem ser estimuladas no Ensino. 

Portanto, desenvolver esse pensamento tripartite, que comumente chamamos apenas de pensamento científico, é função da escola, não apenas em atividades ligadas às Ciências Exatas, mas a todas as demais Ciências do Conhecimento, como: Ciências Humanas, Ciências Biológicas, Ciências Contábeis, Ciências da Natureza, etc.

Parte-se de um problema inicial, realiza-se uma pesquisa (feita de forma aprofundada e guiada), formulam-se hipóteses, fazem-se experimentações e definem-se as ações ou conclusões. Muitos trabalhos, competições e olimpíadas são estímulos a essa competência na escola, que será muito útil para a continuação dos estudos e futura carreira profissional dos alunos.

Enfim, o pensamento científico é um antídoto para fake news e crenças discriminatórias sem nenhum fundamento, ou melhor, sem nenhum “fundamento científico”.

ACREDITAR NO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 

O meio ambiente,  a preservação dos recursos naturais e  o clima são questões que precisam ser abordadas o ano inteiro e em todos os níveis de ensino. 

 Com os alunos da Educação Infantil, os trabalhos poderão ter enfoque na importância da natureza para as nossas vidas e na necessidade de cuidarmos do meio ambiente, que é a casa onde vivemos. Atividades na horta (ou vasos grandes e jardineiras) de preparação da terra, plantio e colheita constituem incentivos para desabrochar  nos nossos pequenos alunos o amor e o respeito pelo “mundo verde”

 As demais turmas, do Ensino Fundamental ao Médio, podem participar de projetos para um grande debate sobre como realizar um desenvolvimento sustentável, ou seja, um desenvolvimento econômico e social sem a devastação da natureza; sem a poluição do solo, da água e do ar; sem a destruição do meio ambiente. 

O pensamento científico, crítico e criativo será exercitado nas pesquisas sobre as mudanças climáticas, suas causas e consequências danosas para todos os seres vivos, como também na formulação de soluções para a salvação do planeta. 

Tornar os alunos amigos da Natureza e praticantes de ações de proteção do meio ambiente faz parte das incumbências da Educação Humanista e Cientificista.

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